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Manejo

Monitoramento da dieta e de parâmetros metabólicos de vacas em período de transição

Monitoramento da dieta e de parâmetros metabólicos de vacas em período de transição

Texto: Rodrigo S. Costa

Na pecuária leiteira de alta produtividade, o período de transição é aquele que apresenta maiores desafios para a vaca em produção. Nessa fase, que compreende os 21 dias anteriores ao parto até os 21 dias pós-parto, são originados transtornos que podem ser responsáveis pelo descarte involuntário das vacas em lactação, e que estão relacionados principalmente a falhas no manejo e nutrição na lactação anterior ou no período pré-parto. O monitoramento de parâmetros metabólicos das vacas, bem como a avaliação da dieta fornecida, são ferramentas capazes de minimizar os transtornos de saúde, resultando em melhores índices produtivos e reprodutivos. 

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Introdução

Até 11% dos descartes ocorridos na propriedade são originados de transtornos que aconteceram no período de transição. Os principais problemas observados nessa fase são: cetose, síndrome do fígado gorduroso, hipocalcemia, metrite, retenção de placenta e deslocamento de abomaso. Essas ocorrências, que podem estar inter-relacionadas ou não, são originadas principalmente a partir do manejo e nutrição inadequados na lactação anterior ou no período pré-parto. Partos distócicos ou gemelares também podem ser fatores pré-disponentes.

Em virtude dessas ocorrências, o monitoramento das vacas nesse período pode trazer benefícios ao animal, além de possibilitar a tomada de medidas preventivas que podem resultar em melhor sanidade e maior produção de leite.

 

Instrumentos para o monitoramento

 

Vacas no pré-parto

Um dos principais problemas relacionados com a vaca leiteira de alta produção é a ocorrência de hipocalcemia subclínica. Esse transtorno, que atinge grande parte do rebanho, pode ser evitado com o uso de sais aniônicos na dieta fornecida nos últimos trinta dias de gestação. A dieta aniônica é a maneira mais eficaz para controle da hipocalcemia por promover mobilização do cálcio ósseo, sem que o nível sérico desse elemento esteja baixo.

 

Monitoramento do PH urinário

Para que a dieta aniônica seja efetiva, deve existir prevalência de aníons na mesma, principalmente enxofre e cloro, visando manter o pH urinário da vaca entre 6 a 6,9. Valores de pH acima de 7, indicam que a dieta aniônica não está funcionando, o que pode ocorrer por dose insuficiente do mineral aniônico ou excesso de potássio/sódio na dieta. Em casos de pH abaixo de 6, a dose pode estar excessiva, podendo causar depressão no consumo de matéria seca no pós-parto imediato.

A mensuração do pH urinário pode ser feita com:

• Fitas – normalmente a interpretação pode ser dúbia e subjetiva. As fitas não são baratas, sendo o meio menos recomendável para a avaliação da eficiência da dieta aniônica;

• pHmetro digital – normalmente é a maneira mais rápida e eficaz para monitoramento de pH urinário no pré-parto. O aparelho portátil custa em torno de R$ 200,00, e deve ser calibrado regularmente;

• Análise laboratorial – normalmente a avaliação de pH urinário em laboratórios de análises clínicas é rápida e barata, apesar do risco de demora na liberação do resultado.

De qualquer maneira, essa aferição deve ser feita regularmente pela mão- de-obra da propriedade para avaliar a eficiência da dieta formulada e verificar a alimentação fornecida no cocho.

 

Vacas no pós-parto

 

Monitoramento da mobilização de BHB (beta-hidróxido-butirato)

Toda vaca leiteira apresenta situação metabólica similar no período de transição, representada pelo balanço energético negativo, quando a vaca não consegue ingerir a quantidade de alimento necessária para atender às suas necessidades nutricionais. Vacas de alta produção podem apresentar balanço energético negativo acentuado e, assim, mobilizar muita gordura corporal, o que pode causar transtornos como a cetose ou doença do fígado gorduroso.

Nesse caso, a primeira avaliação para mensurar o efeito do balanço energético negativo é o monitoramento da variação do escore de condição corporal. A perda de condição corporal da vaca não deve exceder um ponto durante o primeiro mês de lactação. Nesse caso, vacas mais gordas são mais propensas a mobilizar maior quantidade de gordura.

A detecção precoce da mobilização excessiva de BHB pode ser feita utilizando um medidor portátil de corpos cetonicos. Esse aparelho, muito usado na medicina humana para monitoramento de diabéticos, pode ser utilizado na rotina de fazendas leiteiras, com adaptação dos padrões, e pode ser encontrado em farmácias especializadas em produtos para diabéticos. O investimento no aparelho varia de R$ 20 a R$ 35, e cada fita de avaliação de corpos cetonicos custa entre R$ 3 e R$ 4.

Esse monitoramento pode ser feito na primeira semana após o parto, quando ocorre o pico de mobilização de reservas corporais e o maior risco de ocorrência de distúrbios. A detecção precoce é fator importante para evitar a severidade dos distúrbios, bem como suas consequências.

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Avaliação da dieta fornecida

Normalmente, existem no mínimo quatro dietas na rotina de alimentação de vacas leiteiras em uma fazenda. A primeira dieta é a formulada no computador, a segunda é aquela que está no misturador, a terceira a que está no cocho e, por fim, a quarta dieta é aquela que a vaca efetivamente come.

Existem instrumentos que podem avaliar de maneira barata e eficaz a dieta e seus ingredientes.

• Peneira separadora

A peneira separadora permite avaliar a dieta, principalmente no que diz respeito à efetividade da fibra.  A avaliação é feita colocando a dieta em várias caixas com perfurações de diferentes tamanhos. Essas caixas são agitadas e, conforme a distribuição da dieta entre os compartimentos, pode-se estimar a efetividade da mesma e diagnosticar precocemente situações que podem levar aos transtornos decorrentes da acidose. O custo da peneira está em torno de R$ 1500,00.

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• Medidor Koster

A diferença entre o teor de matéria seca do volumoso cadastrado no computador do nutricionista e o real, encontrado propriedade, pode comprometer o resultado da dieta e o desempenho, além de predispor as vacas a distúrbios metabólicos. O Koster é um medidor de umidade em forrageiras, cujo procedimento consiste em colocar o material a ser avaliado (silagem, cana de açúcar ou pasto) no aparelho e, em 30 a 50 minutos, determinar o teor de matéria seca do mesmo a partir de seu aquecimento. O custo do Koster varia de R$ 900 a R$ 1500,00

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Conclusões

O uso de instrumentos para o monitoramento de transtornos no período de transição, bem como o diagnóstico da precisão das dietas, é prática preventiva que pode evitar problemas que comprometerão o desempenho da vaca na lactação subsequente e o consequente retorno financeiro desse animal na propriedade.


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