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Fazendas

Sítio São Paulo: Um palco de transformações

Sítio São Paulo: Um palco de transformações

Texto: Maria Beatriz T. Ortolani

A história de Nivaldo Michetti como produtor de leite começou em 1990, no Sítio São Paulo, localizado em Santana do Itararé/PR. A propriedade de 72 hectares era recusada por muitos lavouristas por possuir muita erosão e infestação de tiririca, mas Nivaldo sabia que poderia contornar esses problemas e mudar aquela realidade. O início foi duro, o produtor chegou a morar em um casebre, enquanto sua esposa e seus filhos residiam na cidade, mas aos poucos fez daquele lugar um exemplo para muitos.

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Um pouco de história

Com 34 anos de idade e formação em técnicas agrícolas, sem nunca ter trabalhado efetivamente com leite, Nivaldo iniciou a atividade com 11 animais mestiços em uma região sem tradição na pecuária leiteira. Não é a toa que foi considerado, na época, um dos maiores produtores da região, com apenas 36 litros/dia.

Além da rotina diária que a atividade exige, o produtor sentia-se escravizado, por ter que cortar e picar todo o alimento a ser fornecido para os animais, além da ordenha ser feita de forma manual. Havia pouca informação e muitos mitos, que aos poucos foram quebrados.

Após anos de muitos desafios e pouca tecnologia, resolveu ouvir as recomendações do técnico e amigo Fernando Netto e implementou as melhores práticas de manejo e gestão em seu negócio.

familia michetti.jpg (1020 KB)

O sistema de produção

A propriedade foi divida em 4 hectares de cana-de açúcar, 9 hectares de pastejo rotacionado, 4 hectares de silagem de milho ou sorgo, e 10 hectares para vacas secas e novilhas (manejadas em piquetes).

Dentre as novas técnicas “abolicionistas” (como o produtor gosta de chamar) estavam:

  • Rotação de pastagem: a árdua tarefa de cortar e picar capim foi substituída pela liberação dos animais no pasto. Além das vacas colherem muito melhor seu próprio alimento, a técnica era vantajosa, pois não tinha a necessidade de comprar mais terras.
  • Cana com ureia: suplementação como fonte de enxofre. Uma ótima opção para aqueles que não podem produzir silagem de milho, já que a cana de açúcar pode ser cultivada sem muita infra-estrutura.cana com ureia.jpg (894 KB)
  • Genética: Aderiu à técnica de inseminação artificial e começou a cruzar aquelas “que dão leite com as que dão lucro”, e assim formou um gado que apelidou de “High Tech” - um animal que transforma o pasto e a cana em leite.
  • Infra-estrutura mínima (instalações e equipamentos): adquiriu uma ordenhadeira eficiente, um resfriador, otimizou o uso de seu trator e desenvolveu o cocho trenó.
  • Cocho trenó: uma alternativa interessante para recuperar pastagens degradadas, aumentar a fertilidade do solo e reduzir custos de adubação. A grande ideia foi a utilização de um cocho móvel que pode ser deslocado de lugar, e assim aproveitar os dejetos dos animais para fertilizar o solo. Se considerarmos que uma vaca defeca e urina uma quantidade estimada de 100 quilos por dia, teríamos, com 100 vacas, o total de 10 toneladas de dejetos. Cada tonelada de fezes mais urina possui o equivalente a 13 quilos de superfosfato simples, 13 quilos de ureia e 7 quilos de cloreto de potássio, ótimos ingredientes para a fertilização do solo. Além das vantagens já mencionadas, o cocho trenó vem de encontro a um conceito ambiental que consiste em devolver ao meio ambiente aquilo que as vacas tiraram.

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Hoje, o sítio tem uma área útil de 51 hectares, sendo que apenas 27 são utilizados para a atividade leiteira, uma vez que não há necessidade, por enquanto, de utilizar mais áreas para o leite. A área restante está, atualmente, destinada ao plantio de grãos.

Nivaldo vê como ponto fundamental para o negócio estar presente na propriedade e, por isso, mantém a família na equipe de frente, além de contar com parcerias como a Embrapa, Emater, Universidades e outros. Ele enumera ainda alguns elementos importantes para o sucesso na atividade leiteira, como: ter água de qualidade, sombra, bom humor, fé e gostar do que faz. “O segredo é produzir com alta qualidade, ter volume para diluir custo, trabalhar para manter um baixo custo de produção, proporcionar bem-estar aos animais e ter bom relacionamento com o laticínio”, diz Nivaldo.

Atualmente, o Sítio São Paulo produz 1600 litros/dia com 70 animais e o produtor está iniciando um novo retiro no Paranaíta, norte do Mato Grosso, com 63 animais em lactação (quase todas primíparas, parindo com a idade média de 24 meses) e 1200 litros/dia. 

Nivaldo afirma que em 22 anos de atividade nunca entrou outro dinheiro em sua casa sem ser advindo do leite. “Considero o leite um ótimo negócio!” E diz que ser produtor de leite lhe proporciona vantagens como ser 100% honesto, ter uma renda mensal, conseguir fazer uma previsão de crescimento e ter liquidez.

Depois que iniciou a atividade no Mato Grosso, fez uma parceria com um jovem casal para que administrassem o sítio no Paraná. Mesmo considerado “louco” por alguns, acreditou que essa nova administração iria dar certo. Com formação acadêmica (Agronomia e Direito), os dois novos parceiros têm devolvido a confiança em forma de resultados. Tudo o que é produzido após a dedução dos custos de produção, assim como os animais nascidos na nova gestão, é dividido em partes iguais, ficando 50% com o casal e 50% com Nivaldo.  “O interessante de tudo isso é que eram (o casal) “urbanos”, o que mostra que o campo vem mudando e as pessoas estão assumindo sua vocação”, observa o produtor.

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